quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pequenas considerações sobre imensas saudades

Todos já escreveram sobre ela. Cantaram, pintaram, cometeram suicídio... Ah, a maldita saudade! Depois do amor é, sem dúvida, o grande tema das artes: literatura, escultura, pintura e música. Tem gente que morre de saudade de um lugar, de um objeto, de um bicho, de uma pessoa. Outros, tem saudade até daquilo que não viveram, é curioso! Tem gente que sente saudade de cheiros, de momentos, de experiências legais vividas ou compartilhadas.
O fato, entretanto, e a unanimidade entre poetas, prosadores e demais artistas, é que a saudade dói... Como deve doer a fome, o frio, o desamparo, o infortúnio, a solidão...
Mas a saudade dói mais e muito, porque é subjetiva: não pode ser medida, contabilizada, calculada, transformada em percentuais, é inexata, imprecisa e por tudo isso, se agiganta sem ser calculada. Nem por isso dói menos.

De tantas imagens plausíveis
a tua estava ali; sórdida e inteira,
a possibilidade e o risco.
Que outra opção senão mergulhar?

E ali naquele ambiente líquido
eu vi tudo que era possível:
o mar e a montanha,
a cachoeira e o escuro.

Assim construí uma vida,
no alento da tua companhia.
Vento quente de verão.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

MUDAR


Mudei. Mudei de cidade, de hábitos, de casa. Apesar de continuar na mesma empresa, mudei quase tudo, e mudar é sempre muito bom! Não esquecerei dos muitos amigos que plantei, pois eles me fazem farta a colheita de amores, de carinhos, de fraternidade e de paz. De amigos eu não mudo, só acrescento.
Tenho aqui, na nova casa, um pôr-do-sol ímpar. Descrevo: o sol sulino, ardente e ao mesmo tempo frio, desmancha-se em delírios na Lagoa dos Patos, entregando-se ao mergulho nas águas que circundam a cidade de Rio Grande. Para qualquer lado onde olhe: água. Geograficamente, a península aquosa da cidade banha-nos em águas, ora calmas, ora tempestuosas. As águas daqui são humanas, frágeis e voláteis. Humanas.
Eis a poesia dos ventos, da areia, do mar, da Lagoa dos Patos, da pesca, da mudança e da adaptação:

Sobram cores na minha sacada
e mergulham fagulhas vermelhas no mar
doce da lagoa imensa e densa

Sobrados de telhados setecentistas
acenam torres e sinos madrugadores
na imensidão do horizonte plano

Estou aqui e acrescento ou subtraio
momentos e sonhos futuros
nesta cidade que ainda não me conhece

Vejo. Uma calçada e um cão.
Água. Planitude e imensidão.
Quietude. Mar.Sobrados.
Tempo lento, calma, amplidão.

domingo, 3 de agosto de 2008

HAJA TEMPO!


Bem, fiéis leitores do blog, haja tempo! Gostaria de escrever com mais freqüência, mas meus compromissos profissionais me impedem, por ora, de me dedicar àquilo de que mais gosto: palavrear. Tudo a seu tempo e com o seu tempo... Agora é tempo de trabalhar, organizar, dedicar-se. Tudo de bom que se emana volta e eu sou feliz por receber tanta coisa boa!

Vou postar aqui um texto, ele não é novo, mas eu gosto muito. Espero que também apreciem e comentem. Aliás, não há texto sem leitores e todo texto sempre fica melhor depois de uma boa crítica! Abraços!

A TECNOLOGIA A DESSERVIÇO DA HUMANIDADE
Rosicler Schuster

Primeiro foi o fogo, que nos deslumbrou, numa remota pré-história. Depois, e numa velocidade cada vez mais crescente, a roda, as estruturas mecânicas, as descobertas elétricas, o mundo da eletrônica e, hoje, o mundo virtual: computadores velozes cada vez menores e mais complexos.
Acompanhando o “progresso” do homem, a linguagem lhe foi indispensável: os grunidos, a articulação da fala, o registro dos signos, a escrita, os copistas, a impressão e, hoje, a facilidade do correio eletrônico, que distribui, em minutos ou até segundos, milhões de mensagens e permite uma comunicação rápida e eficiente...
Incoerentemente com o século e as novas tecnologias com as quais convivemos, alguns usuários da rede parecem retroceder no tempo, ao tempo dos mitos, das correntes, das lendas, mais conhecidas como “hoax”, cuja tradução literal é “peça, brincadeira”. Espalhando mensagens de autoria duvidosa e, em sua maioria, de extremo mau-gosto; repassando inúteis correntes que contrariam qualquer traço de racionalismo; disseminando lendas, como as eternas listas de desaparecidos, campanhas para salvar a mulher oprimida da Birmânia, doação para alguma criança com defeito físico do Nepal, abaixo-assinado para evitar que os EUA nos tomem a Amazônia e outras, certos usuários transformam esse canal de comunicação em um verdadeiro canal de “perturbação”. É preciso ter bom-senso no uso da tecnologia, e lembrando Theodor Adorno, em seu artigo “Uma educação após Auschwitz”, também em relação à tecnologia o homem não estava preparado e, assim, agora não sabe usá-la.
O grande problema com o mau uso do correio eletrônico está naquilo que ele, paradoxalmente, tem de melhor: a velocidade de espalhar boatos falsos e de atingir um número gigantesco de usuários. A cada vez que repassamos uma mensagem desconhecida, uma corrente ou um “hoax”, corremos o risco de cairmos em uma grande rede de captação de e-mails que, ainda que indevidamente, apropria-se de nosso endereço e o comercializa... Depois, ficamos indignados ao receber tanto “spam”! Por incrível que pareça, somos extremamente ingênuos a cada vez que usamos a internet dessa forma.
Portanto, não acredite em tudo que recebe por e-mail. Afinal, o conhecimento humano levou séculos para ser construído e, agora, diante de tantas bobagens, está levando segundos para ser prostituído. A Amazônia tomada pelos EUA? Hoax, caro internauta! E você acreditou e até ficou preocupado! Uma gang que rouba rins e depois deixa a vítima imersa em uma banheira com gelo? Hoax, caro internauta! E você acreditou e até ficou preocupado! Pense no que você lê, avalie as informações, cheque as fontes, não se acomode achando que a internet é a oitava maravilha do mundo e tudo que está escrito nela é verdadeiro!
Só assim, com um pouco mais de bom-senso, poderemos tentar frear esta desagradável onda de mensagens e textos com autoria equivocada; correntes medievais (quem passa realmente acredita nisso?) e lendas que em nada acrescentam à nossa vida. O veículo ágil da internet é extremamente útil, desde que seja usado para a boa comunicação: a necessária, aquela que não ilude, não desperdiça o tempo e não incomoda.

domingo, 15 de junho de 2008

Sempre poesia...

Tantos autores consagrados já nos mostraram o quanto a poesia pode fazer por nós que qualquer explicação adicional é dispensável. Ler poesia, fazer poesia, viver poeticamente não é simplesmente uma opção, é uma filosofia de vida! Bem, como hoje eu estou sem paciência e tempo para escrever mais, fiquem com o que há de mais legítimo em mim: a minha "poiésis"...

de repente
neste já
neste instável instante
neste ato inexato da existência
nesta ímpar experiência que se efetua

minha vida virou um pronome
tu

e eu te apresento meu êxtase
com uma cruel, febril,
gravíssima delicadeza,

e concebemos, juntos,
beber desta paz,
ciência simples e sutil
de estarmos completamente
atados em
nós.

Para onde volto

Vou voltar sempre que impossível
faminta ou saciada,
disposta ou cansada,
em qualquer estação do ano,
por qualquer meio de transporte.

Vou voltar ainda que não ajam caminhos,
nem setas indicativas ou rumos;
mesmo que eu perca o norte,
perca o mapa, perca a sorte
e todos os pontos cardeais.

Vou voltar derrubando cercas
e pulando os muros do mundo;
abrindo as trancas do medo,
quebrando as correntes do tempo,
desvendando os meus próprios segredos.

Vou voltar para o teu corpo
morno,
morada distante,
errante;
caminheira sou,
tu és pousada,
meu porto de partida,
meu porto de chegada.

terça-feira, 20 de maio de 2008

"Redassões" da FUVEST


Na quinta-feira passada foram divulgadas as melhores redações do Concurso Vestibular FUVEST 2008. Na linha do "se você não pode vencê-los, junte-se a eles",as redações vieram acompanhadas da manchete "Melhores redações da Fuvest têm rasuras e erros de gramática", conforme divulgação na mídia eletrônica. No corpo da matéria, disponível em http://vestibular.uol.com.br/ultnot/2008/05/16/ult798u22498.jhtm, há comentários sobre o fato do desconhecimento de algumas regras gramaticais não influenciar na qualidade do conteúdo do texto; daí a justificativa para colocar entre os melhores textos alguns com problemas de crase, rasuras e caligrafia sofrível.
Sem querer parecer purista, até porque sempre tive o maior respeito pelas variantes dialetais e não acredito em língua "melhor" ou "pior" - mas em língua adequada a determinada situação - para quem, como eu, tem acompanhado os vestibulares dos últimos 15 anos, o que está acontecendo com as correções pede uma reflexão. Todo professor de Produção Textual sabe que a banca da FUVEST é uma das mais respeitadas do país e costuma, por assim dizer, "ditar" algumas regras e servir de comparativo a outras bancas de correção. Isso mostra que há uma tendência em relação à correção das redações nos vestibulares do país, e ela está bem clara: permitir certos "deslizes" de forma em detrimento da qualidade do conteúdo.
A minha curiosidade é: aonde isso vai nos levar? Não cabe aqui todas as reflexões em relação à necessidade de uma unidade lingüística para que possamos nos comunicar com propriedade e bla´, blá, blá, mas é certo que temos uma modalidade padrão que é ensinada nas escolas e cobrada em avaliações escolares, concursos em geral e era também cobrada com rigor em concursos vestibulares, pelo menos os mais sérios. A partir do momento em que a mais importante banca de correção de redações do país divulga que "A intenção é mostrar que, para a Fuvest, uma crase mal-colocada não faz uma redação deixar de ser boa", segundo José Coelho Sobrinho, professor de jornalismo da USP e assessor de imprensa da Fuvest, é importante que todos nós que trabalhamos com a "última flor do Lácio" repensemos a nossa prática! Que o ensino da língua materna na sua variedade padrão é um grande problema da escola há muito tempo, não há dúvidas. Entretanto, até então, os vestibulares valorizavam a sua correta aplicação, o que levava o aluno - que é jovem e ainda não têm uma visão a longo prazo de como o bom uso da língua o ajudará profissionalmente - a ter esse aprendizado como importante. E agora? A decisão da Fuvest não vai fazer diferença para aquele aluno maduro, dedicado, que freqüenta os laboratórios de redação, que escreve muito, que busca uma vaga em uma universidade concorrida. Mas ele é, infelizmente, minoria. Dentro de sala de aula, já tenho ouvido opiniões que me preocupam. Na irreverência e no imediatismo próprios da idade, os alunos de Ensino Médio já falam em não se preocupar com a gramática, porque o que conta, na redação, é o conteúdo.
Não sou contra a linha de avaliação divulgada pelos corretores da FUVEST; pelo contrário, há muito que defendo uma gramática simplificada, menos normativa e mais "aplicativa", como muitos de meus colegas que sabem o peso de lecionar essa disciplina e ter que explicar ao aluno qual o sentido de ficar tantas aulas aprendendo análise sintática! É claro que pequenos deslizes gramaticais devem ser perdoados e todo o rigor em demasia é nocivo, mas daí a tornar isso público, como se fosse positivo e bom, é fazer uma coisa que a banca da FUVEST não precisa: ganhar notoriedade. Não há duvídas que a notícia foi mal divulgada e mal explicada. Ou então, a banca não conseguiu encontrar textos que combinassem bom conteúdo com correção gramatical, o que mostra, por sua vez, o tamanho do problema que é o ensino da língua no país. De qualquer modo, após a leitura de várias matérias sobre o assunto e das 15 melhores redações selecionadas pela banca da FUVEST, fica uma certeza: para os próximos vestibulares, os corretores que se preparem, porque está valendo a lei de Murphy: estava ruim? Pois vai ficar bem pior!

sábado, 17 de maio de 2008

Só poesia

I
(Rosicler Schuster)

Na curva da estrada
vi teu vulto:
lúcido e arguto.
Por mil vezes,
eu pensei,
retornaria ali,
viveria em ti,
morreria quantas vezes
fossem necessárias...
O teu amor me fez assim:
ser feliz,
enfim.


II
(Rosicler Schuster)

Pardais voam para longe.
As letras somem no teclado.
As cortinas da janela
se oferecem para os eucaliptos.
Eu não me projeto,
nem tenho coragem
de me lançar ao infinito.
Estática, na sacada,
olho o horizonte.
Nada vejo, pois,
sem ti,
nada há.

III
(Rosicler Schuster)

Quantas vezes entrei por portas
de alices no país das maravilhas
e vi xícaras efervescentes:
redundantes armadilhas.

Caí na ficção da minha vida
sendo ora Bovary,
ora selvagem Iracema,
que sempre pensa em ti.

Onde andarás, branca pessoa?
Meu coração se ressente,
te procura em Florbela Espanca,

quase te encontra em Vicente,
mas tem uma única certeza:
estás em Augusto, deliberadamente.

domingo, 11 de maio de 2008

A MAGIA POR DETRÁS DO FARDÃO


O texto abaixo não é novo. Ele foi escrito quando da "eleição" de Paulo Coelho à ABL. A pedido, já que estavam me acusando de, como professora de Literatura, nunca ter xingado o mago por aqui, aí vai ele. Fãs do bruxo, não se ofendam. Como sempre digo aos meus alunos, vale ler de tudo: de Paulo Coelho à bula de remédio. Particularmente, eu diria que existem bulas bem interessantes...
" A palavra decadência expressa uma perda de energia. Transmite a idéia de que as chaves mestras da cultura já não têm o poder de abrir novas portas, de inspirar avanços. No lugar das possibilidades há repetição, estagnação e tédio. Há sinais de sobra de que isso está acontecendo no Ocidente." (Jacques Barzun, americano de origem francesa, professor de História Cultural nos EUA)

Nunca um imortal da Academia Brasileira de Letras combinou tão bem com o fardão quanto o novo ocupante da cadeira 21! Uma veste longa, ricamente bordada, suntuosa. Resplandecente.
Imagino Paulo Coelho dentro do fardão, um quase-Merlim, ainda mais misterioso, ainda mais mago, pairando num arroubo levitativo sobre as brumas do lago de Avalon, na Idade Média das profundas trevas pelas quais embicou a representação literária do país! E a corte da rainha Nélida Piñon deslocando-se da Távola Redonda para saudar, efuzivamente, seu mais novo imortal, saído das cinzas da crítica para o pedestal da fama! Nem Marion Zimmer Bradley, a autora da mística saga arturiana As brumas de Avalon, teria tanta criatividade para imaginar que o desfecho acima pudesse ser verdadeiro.
Para lamento dos apreciadores de literatura – nem faço referência à boa literatura, isso já seria demais! - o mago imortalizou-se de vez! Depois de $impática campanha nos bastidores da ABL, reza$, coincidência$ cabalística$ e $uper$tiçõe$, o autor de best-seller mais vendido do país ( e também autor do ridículo “ Manual prático do vampirismo”, do qual ele se envergonha e culpa a péssima qualidade da produção à parceria que teve para escrevê-lo) conquistou o direito de integrar a Academia Brasileira de Letras, partilhando suas metafísicas concepções com nomes de porte no meio literário. Será que além de José Sarney, Ivo Pitanguy e Roberto Marinho, os outros imortais terão condescendência cultural para conviver com ele? Bem, ajudaram a elegê-lo, agora que leiam Brida!
Imagino o chá semanal da ABL – que a partir de hoje pretendo chamar de Academia Brasileira de Lacaiagem - começando assim: o Cony e o Nejar discutindo os rumos da literatura portuguesa que conduziram o Fernando Pessoa, o Mário Beirão e o Mário de Sá-Carneiro pelos caminhos de uma nova estética e de uma nova filosofia, impulsionada pelas correntes cubistas e futuristas, estimuladas por Max Jacob e Apollinaire, e o “mago” perguntando se estes caras também curtiam um barato e tinham, como ele, levado eletrochoque... Na platéia dessa intervenção inteligentíssima, a Rachel de Queiroz, com uma gigantesca cornucópia ao ouvido direito, gritando e afirmando que o sertanejo é a vítima do sistema latifundiário opressor que predomina no nordeste e que esse tal de Pessoa, que um dia ela já ouvira falar, mas, no momento, não lembrava mais quem era, podia servir de cangaceiro no seu próximo romance que a Globo, certamente, adaptaria.
No outro canto da sala, para o qual o “novo imortal” acabou se deslocando, não sem antes invocar seus protetores espirituais e convencer Verônica a não morrer, a Lygia Fagundes Telles, rodeada pelas meninas, e o Josué Montelo, esse último sentado sobre seus tambores silenciosos, numa animada conversa em torno da obra da colega Clarice Lispector, lembram que a epifania lispectoriana nada mais é que o momento de percepção do ser já comentado por Freud, e o “mago”, em outra pertinente intromissão, querendo saber se a epifania era usada em pílulas ou ele também poderia fumar...
Subitamente, interrompendo as conversas, surge na nobre sala, devidamente paramentada de baiana de eterno luto, a viúva Gatai - a legítima dona Flor e seus dois defuntos - insinuando que a cadeira 21 deveria ter ido era mesmo para o amigo número um de Jorge, o Toninho, e marca sua posição contra a eleição do mago por ele não compartilhar da baianidade-afro-candomblística-ilariê-de-caetano-e-mainha-de todos-os-santos-da-Bahia.
E o desfecho desse delírio? Ah, o desfecho é fácil de imaginar: enquanto o santo imortal da cadeira 12, Dom Lucas Moreira Neves (até isso tem por lá...) faz uma prece para acalmar as almas, a ala baiana dá total e incondicional apoio à viúva Gatai – mesmo tendo votado a favor do mago - ao mesmo tempo em que fuma charutos e discute o que é que a baiana tem; o João Ubaldo brada, bêbado e aos berros que a sobriedade e o sistema é que impedem a clonagem de jacarés e que ele vota contra, seja lá contra o quê for; a Rachel de Queiroz continua surda, com a cornucópia ao ouvido, insistindo que a Glória Pires e a Maria Moura são a mesma pessoa e o “mago”, silenciosamente, e na frente todos, finalmente, mostra o seu poder. Num arroubo metafísico-transcedente-espiritual-charlatonal, levita, o brilhoso fardão resplandece, abre os braços, transforma-se em um urubu e sai voando pela janela, para espanto da turba literária boquiaberta. Enquanto isso, dentro do toalete, o imortal da cadeira 24, Sábato Magaldi (alguém já ouviu falar dessa figura?!), escreve o Diário de um cocô.